
Os problemas de comportamento
alimentar podem envolver graves implicações médicas, e ainda assim, com alguma
ligeireza são associados à fraqueza de espírito ou à falta de força de vontade.
Pressupõe-se que a compulsão
alimentar ou a indução de vómito ocorrem por alguma razão, mesmo que em algumas
situações o “gatilho” possa não ser de fácil identificação. Neste sentido,
podemos assumir que é um comportamento que pode ser entendido enquanto um
hábito que serve algum propósito. Assim, é um comportamento que pode ser
percecionado como um comportamento aprendido e que pode por isso ser
desaprendido e substituído na sua função, seja ela qual for.
O episódio que despoleta o comportamento
desadequado ou desajustado não tem de ser um episódio muito significativo, pode
ser tão simplesmente um acontecimento, como estar sozinho em casa, que gera uma
emoção que provoca desconforto. Esta emoção desconfortável é algo que se
pretende extinguir ou pelo menos reduzir em intensidade.
E é neste contexto que
a comida surge enquanto “oportunista” e “resolve” o problema, por assim dizer.
Provisoriamente, constitui uma forma de abrandar o impacto da experiência
emocional de desconforto. Contudo, o alívio que pode ser sentido, como sabem, é
apenas passageiro, uma vez que usar a comida não nos permite aprender a regular
o desconforto emocional de forma adaptada e saudável.
Em jeito de conclusão provisória, a
intervenção psicoterapêutica nos problemas de comportamento alimentar tem como
objetivos: facilitar o quebrar da ligação entre experienciar emoções sentidas
como desconfortáveis e utilização da comida como forma de regular essas
sensações; aprendizagem de estratégias mais saudáveis e eficazes de regular o
que sentem de forma a poderem interromper o comportamento problema e substituição
por outros comportamentos saudáveis.
Tânia da Cunha