Os fatores psicológicos podem ter
um papel decisivo no trabalho de parto e a sua influência pode ser prevista
durante a gravidez. Sabemos que os aspetos de sofrimento psicológico, como a
ansiedade durante a gravidez, são preditivos da forma como o trabalho de parto
decorrerá, e a redução daquela poderá ser um objetivo da intervenção
terapêutica.
A forma como a gravidez é vivida
influencia a hora do nascimento, com mais ou menos perturbações obstétricas e
pediátricas, com mais ou menos dor e com mais ou menos satisfação. O nível de
ansiedade é um fator decisivo.
É consensual que a ansiedade e a
incapacidade de lidar com as adversidades, estão intimamente relacionadas com
as dificuldades no parto e, é de todo o interesse minimizá-las através da
intervenção psicológica, tendo em conta que um parto com sofrimento, abre
portas para uma relação mãe-bebé conturbada.
As mães que relatam um parto mais
difícil, assim como aquelas que referem mais dor, mais ansiedade, mais perda de
controlo, da noção de tempo e espaço, e aquelas que exibem uma reacção
emocional mais negativa para com o parto e apontam que tiveram menos suporte
por parte dos técnicos, apresentam níveis mais elevados de perturbação
emocional.
Estudos apontam que a experiência
de parto é positivamente afectada, no que se refere à percepção e satisfação da
mulher, pelas seguintes condições: presença de uma pessoa significativa; parto
normal e não por cesariana; anestesia local e não geral, no caso do parto por
cesariana; participação activa nas decisões relativas ao parto e no trabalho de
parto; parto sem dor, tal como se verifica, por exemplo, na sequência de
analgesia pelo método epidural.
Todas e cada uma destas
circunstâncias favorecem ainda o estado emocional da mulher durante o pós-parto
e, em geral, beneficiam a qualidade da relação e dos cuidados que a mãe presta
ao bebé. Neste sentido, a investigação aponta que são estas as condições que a
intervenção psicológica deverá geralmente favorecer para possibilitar que a
mulher tenha uma experiência de parto mais positiva, que propicie o seu
bem-estar e o do bebé durante o puerpério.
Tânia da Cunha
Psicóloga Clínica/Psicoterapeuta
Tlm: 96 756 44 20
E-mail: tania_cunha_@hotmail.com