Alguns de nós
são muito sensíveis à culpa, enquanto outros esquecem com facilidade as suas
transgressões, embora possam ser “eficientes” a apontá-los aos outros. Assim,
cada um de nós está equipado com uma espécie de termostato de culpa. Para
alguns o termostato tem uma escala baixa que permite detetar a culpa facilmente
(sensíveis à culpa). Ao contrário, outros têm um padrão tão alto que parecem
“cegos” aos prejuízos que os seus comportamentos impõem.
Mas afinal, o que é a culpa? No essencial, a culpa é o
sentimento de remorso e de perda de controlo que acontece sempre que fazemos
algo errado. Ainda assim, a culpa não está reservada simplesmente para aquelas
coisas que fazemos mal. Não fazer algo pode provocar culpa também. Pode
sentir-se culpado a respeito de um erro irrefletido e não intencional como a
propósito de um erro premeditado.
Deixo-lhe algumas expressões comuns de culpa:
Culpa existencial – ocorre quando se sente culpado de quem é, do que
faz ou porque caminho segue na vida – tal como não viver de acordo com alguma
expectativa ideal, sentir-se preguiçoso, ou desistir.
Culpa por omissão – surge quando não consegue fazer aquilo que sente
que é correto. Exemplos disso podem ser: desprezar o apelo de ajuda de um amigo,
esquecer um aniversário de alguém importante para si, ou não trabalhar o melhor
que pode.
Culpa por atuação – tal ocorre quando é conduzido por objetivos
egoístas a fazer algo que vem a lamentar. Enganar, mentir, ferir alguém ou
fingir uma doença para se isentar a uma obrigação.
Culpa por fantasia ou pensamento – emerge quando tem pensamentos ou fantasias
incongruentes com os seus valores morais. Pensamentos de vigarização, roubo,
prejuízo de outrem ou comportamento anti-social podem todos despoletar
sentimentos intensos de culpa.
Culpa por comparação – comparando-se com os outros sente que tem
demasiado. Umas férias, herança de dinheiro ou ver alguém ser lar fá-lo
sentir-se culpado sobre a facilidade de ter tais coisas.
Como está o seu termostato de sensibilidade à culpa?