Há um medo especial de ter adotar uma postura firme para
manter as próprias ideias, expressar as necessidades ou sentimentos, reclamar
os direitos. Estes medos de afirmação, ou de imposição, ou de defesa dos
próprios direitos podem dever-se a três causas: o medo da resposta da outra
pessoa; o medo de não saber o que responder perante a resposta do outro e o
medo de defraudar a outra pessoa.
Proponho-lhe uma breve reflexão sobre o último ponto: o medo
de defraudar o outro. O medo de que a outra pessoa mude a imagem que tem de
mim, depende de que sinta que a minha integridade, a minha identidade, a minha
dignidade provêm da avaliação dos outros, e implica que o meu juízo sobre mim
próprio dependa dos outros. E não só do juízo de uma pessoa significativa, mas
de qualquer um.
Tão importante como saber defender-se, pedir ou reclamar, é a
forma como o faz. Muito embora a forma como nos expressamos seja uma questão da
máxima importância, a verdade é que muito mais pessoas do que poderíamos
imaginar apresentam essa vulnerabilidade. Neste sentido, convido-o/a a
experimentar as seguintes dicas:
1.
Tenho
que o dizer – Identifique uma mensagem que queira transmitir a alguém. Pode
ser, por exemplo, pedir aumento de salário, despedir um colaborador ou talvez
anunciar a reprovação num exame.
2.
Vou
dizê-lo com os 5 Eu – Estruture a sua comunicação utilizando a técnica “5 posições
do EU”:
- EU VEJO – Descreva, sem dar
opinião e da maneira mais objetiva possível, a situação. Refira o que os
seus sentidos veem, ouvem, tocam, provam e cheiram.
- EU PENSO – Apresente a
interpretação da situação. Poder-se-á substituir por “suponho que”,
“imagino que”.
- EU SINTO – Permita a expressão
do que realmente está a sentir. Trata-se de uma emoção específica. Estou
alegre, estou satisfeito, estou zangado, estou aborrecido, sinto-me
desapontado...
- EU QUERO – Na comunicação
operativa, quem fala quer sempre algo.
- EU PRETENDO – Exprimir a
finalidade dos atos e dos sentimentos.