Durante toda a nossa caminha pela vida percorremos diferentes
etapas, nas quais está implícito um contínuo vaivém de contacto e retirada, em
cada uma delas ocorre um processo de começo (nascimento) e fecho (morte).
A morte continua a ser um acontecimento temível e assustador,
e o medo da morte, bem como o de perder alguém amado, parece tratar-se de um
medo universal, ainda que pensemos que o dominamos a muitos níveis.
Desde o nascimento que vamos criando vínculos afetivos, estes
compõem-se de determinada quantidade e qualidade de afetos que podem ser
avaliados como positivos ou negativos. Neste sentido, quando quebramos o
vínculo (situação de perda) pode ser despoletada a frustração e desta surgir
raiva e tristeza. Assim, o sofrimento e dor que ocorre da perda dependem do
vínculo ou da avaliação que fazemos, bem como do nosso padrão de funcionamento
para lidar com situações de perda.
Quando perdemos alguém, especialmente se tivermos pouco ou
nenhum tempo para nos prepararmos, podemos ficar enraivecidos, zangados, em
desespero e deve-nos ser permitido expressar esses sentimentos.
No “luto normal”, a dor despoletada pela quebra do vínculo,
traduz-se em sentimentos de angústia, vazio, raiva e culpa. Estas emoções podem
ter um carácter reparador quando não resistimos senti-las, reprimindo-as podem
conduzir por exemplo, a estados depressivos.
Este processo de (re) acomodação a uma situação nova requer
tempo. Sem tempo não há processo e sem processo não há possibilidade de
assimilação nem crescimento. Neste sentido, o processo de luto representa uma
emancipação de laços afetivos, uma (re) adaptação ao ambiente e a crescente
formação de novas relações.
Com frequência nega-se o doloroso sentimento despoletado pela
perda, pois é tentador fugir da dor. No entanto, os benefícios que levam o
processo de luto saudável são inúmeros e estendem-se a todas as facetas do ser
humano. Os efeitos benéficos das despedidas em geral são duradouros e a pessoa
vai adquirindo maior interesse pela vida e pelas pessoas que a rodeiam. Cuide de si!